Wild Sing na Netflix:
o final do filme e por que ele combina mais com a sua casa

Você viu que o filme Wild Sing chegou na Netflix?
Quando ele estreou no cinema, fiquei bem na dúvida se ia assistir ou não. Só que eu gosto mesmo é de ver no conforto de casa, então fiquei esperando ele cair no streaming.
E, depois de ver, fiquei com a impressão de que esse filme combina mais com a casa da gente.
Antes de contar por que senti isso, vou começar pela história e pelo final.
Do que o filme fala?
É a história de um grupo que se separou há 20 anos e volta ao palco.
”
O protagonista do filme é o Triangle, um trio de dança misto.
Eles estrearam em 2001 com "Love Is" e varreram as paradas das três grandes emissoras da Coreia. Com "Shout It Out", do segundo álbum, chegaram ao primeiro lugar: passaram na frente do Choi Seong-gon, o príncipe das baladas, que já estava em segundo lugar fazia 38 semanas.
Só que, logo depois de chegarem ao topo, três problemas estouram de uma vez só.
– O escândalo de drogas do Choi Seong-gon
– A acusação de plágio da faixa-título do segundo álbum
– A fuga do dono da agência
Foi assim que o Triangle se desfez do dia pra noite, e o Choi Seong-gon acabou preso.

Vinte anos depois, cada um levava a sua vida. O Hwang Hyun-woo vivia de bicos na TV pra pagar as contas, a Byeon Do-mi tinha virado nora de uma família chaebol, e o Gu Sang-gu era corretor de seguros afundado em dívidas.
Chaebol (재벌) é como os coreanos chamam os grandes conglomerados familiares do país — e, por tabela, as famílias donas deles.
Quando até o último trabalho que sobrava pro Hyun-woo, um programa de rádio, começou a ficar por um fio, apareceu uma chance: um show em apoio à candidatura da província de Gangwon, na Coreia, a sediar uma Expo.
A condição era que todos os integrantes do Triangle participassem. Depois de muito perrengue, o Hyun-woo convenceu os outros dois, e o grupo se juntou de novo depois de 20 anos.
E o final,
como é?
Os integrantes do Triangle terminam o show da Expo sem maiores problemas.
”
Começando pelo fim: o Triangle termina o show da Expo sem maiores problemas.
Repare que eu usei "sem maiores problemas".
É que, nesse filme, a graça não está no final, e sim no caminho até ele.

Eles atropelam o Park Yong-gu de carro. O Yong-gu foge, e o Choi Seong-gon quase atira nele. Depois eles escondem o Seong-gon desmaiado, são flagrados e ainda acabam com a polícia atrás deles.
Pra cantar uma música só, eles passam por um perrengue bem selvagem até chegar ao local do show.

E, quando parecia que enfim dava pra fazer o show, o diretor do programa barra os três.
Eles tinham chegado atrasados, e ele teve o pressentimento de que o pessoal do Triangle tinha aprontado alguma.
Mesmo assim, eles não desistem.
Empurram o cantor que ia entrar no lugar deles e invadem o palco.
Como o programa era ao vivo, o show acabou seguindo assim mesmo, e eles conseguiram fechar a apresentação com tudo.


Depois disso, a história fica assim: a Do-mi volta pra vida de nora da família rica, e os outros dois seguem com o Triangle, agora junto com o Choi Seong-gon.
O filme termina com uma cena em que a Do-mi, agora como investidora, aparece ao lado dos integrantes do Triangle.
Ah, e o Park Yong-gu não morreu, não.
Ele tinha sumido sem prestar contas do primeiro álbum do Triangle, então ficaram quites com a atropelada que ele levou.
As críticas foram boas.
Por que ninguém foi ver?
O filme foi muito bem avaliado, mas não chegou a se pagar.
”Esse filme, na real, foi muito bem avaliado. (As três notas aí em cima são de sites coreanos; o CGV é a maior rede de cinemas da Coreia.)
Um Golden Egg de 93% quer dizer que quem foi ver saiu satisfeito.
O comentário do crítico de cinema coreano Lee Dong-jin sobre o filme também é divertido:
"Niga Joa" ("gosto de você"), a música que o Choi Seong-gon canta no filme e que o crítico citou nessa frase, entrou nas paradas e ainda virou challenge nas redes.
Só que o público não veio.
Na primeira semana ele chegou ao segundo lugar das bilheterias e, daí em diante, só caiu.
O título de uma matéria resumiu bem isso:
A música entrou nas paradas, o challenge rodava, e mesmo assim ninguém ia ao cinema.

Fiquei pensando no porquê.
Pra começar, o filme é uma comédia: não é ação nem superprodução — então até dá pra entender.
Só que, assistindo, teve uma coisa que me bateu mais forte.
As apresentações do Gayo Top 10 daquela época — um programa musical que passava na TV coreana — e as cenas de show que aparecem no meio do filme me faziam lembrar da época em que a gente assistia TV.
Fiquei com a sensação de que ele é um filme melhor pra ver em casa, na TV, de boa, conversando com a família, do que no cinema.
Perguntas e respostas
Separei as dúvidas mais comuns.
”O que quer dizer o nome Wild Sing?
É Wild Sing com "Sing" mesmo, de cantar — não é "Thing".
Ao pé da letra, seria algo como "canto selvagem". E, como você viu aí em cima, eles aprontam o maior rolo pra conseguir cantar uma música só. É esse caminho todo que dá nome ao filme.
Tem cena pós-créditos?
Tem. Depois dos créditos finais entram o clipe de "Love Is" e o bis que eles fizeram pra comemorar o primeiro lugar de "Shout It Out".
As músicas do filme são cantadas pelos próprios atores?
São, sim. Os atores cantaram tudo.
Pra fechar
Será que na Netflix ele não estoura?
”Pra mim, o filme Wild Sing combina bem mais com a Netflix do que com o cinema.
Ver na TV, bem de pertinho, aqueles palcos daquela época que aparecem no meio do filme dá uma saudade ainda maior.
No cinema ele não brilhou, mas fico achando que na Netflix ele pode estourar.
E você, o que achou? Se você viu dos dois jeitos, no cinema e em casa, qual foi melhor?





